mArte recomenda!



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A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia, convida:

M U Ô
mistérios corpóreos

Sol Casal
foto-esculturas


abertura 17/07 às 19h

Galeria dos Arcos - Usina do Gasômetro
Av. Pres. João Goulart, 551 - P. Alegre
de 17/07 à 17/08

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Realização: Secretaria Municipal de Cultura - SMC - Prefeitura de Porto Alegre
Apoio: DMAE ~ Citylab ~ Nieto ~ Vinhos do Mundo ~ Coruja

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Produção: Guadalupe Casal
http://solcasal.blogspot.com/

N Partes - Coletiva


No dia 1 de julho abre a exposição N partes, com trabalhos desenvolvidos pelos alunos da disciplina de Modelagem em Gesso do Instituto de Artes da UFRGS. A mostra contará com os trabalhos de nove jovens artistas e propõe um momento de reflexão e socialização de sua produção durante o curso da disciplina no primeiro semestre desse ano.


Abertura: 1 de julho, terça-feira
das 19 às 21h30
Visitação: de 02 a 30 de julho
de terça a domingo, das 14h às 18h

Galeria de mArte
Osvaldo Aranha, 522 sobreloja
Bom Fim - Porto Alegre
http://galeriademarte.blogspot.com
galeriademarte@uol.com.br

Desenhos em doses mínimas; pinturas em doses duplas - Flávio Morsch

A obra de Flávio Morsch é poesia feita de cores, de gestos e de linhas. O resultado indica um exercício de paciência e rigor técnico-formal onde a mão que seduz a matéria é a mesma que a leva por caminhos feitos de liberdade na criação. Desenhos em doses mínimas e pinturas em doses duplas são trabalhos que guardam especificidades próprias de cada linguagem, contudo proporcionam uma relação visual de jogo e de troca marcados pela presença de uma unidade formal que rege todo o conjunto: a pintura através de suas cores vibrantes dilui-se nos desenhos que provocam o fruidor por meio do imaginário do artista. O desenho, por sua vez, transmuta-se trazendo o silêncio às suas formas e texturas ao desmanchá-los em gradações de cores. A zona de passagem entre uma linguagem e outra é ato reflexivo que produz uma estrutura rigorosamente construída que nos fala da sensibilidade do artista e de suas escolhas existenciais e filosóficas.
Os desenhos são elaborados pelo domínio absoluto da técnica e da diversidade dos materiais utilizados, além das cores intensas de guaches, aquarelas, óleos e acrílicas, colagens de papéis japoneses e tailandeses, tecidos e papéis fotográficos, xilogravuras de padrões orientais, papéis tingidos com tinta a óleo pelo próprio artista e são geradores de novos padrões coloridos e ainda: o nanquim, o grafite e o lápis de cor, como ingredientes formadores deste universo gráfico. A sua poética revela requinte e enigma para a retina pois os personagens capturados do mundo animal tornam-se figuras imprevistas e se inscrevem num contexto em que os deixa a vontade num universo de firmeza e exatidão.
As pinturas refletem uma temática da cor. A cor, em exercício da própria cor, resplandecendo através da luz e das transparências. O tratamento dado à superfície é criado em faixas coloridas que traçam um percurso de alto a baixo, delimitadas por linhas previamente desenhadas. A tinta escorre por estas linhas em várias camadas, porém não cria texturas por seu uso ser diluído. As linhas justapostas, de modo a deixar o centro do trabalho com uma luminosidade maior e as bordas mais frias causam uma progressão do espaço dentro da pintura. A riqueza desta construção geométrica, com esta luz refletida transforma a pintura num holograma.
As obras formam um conjunto harmônico onde os desenhos significam anotações e são realizados de maneira metódica sobre o vazio do papel, enquanto que as pinturas remetem ao espaço puro; fruto de incessantes pesquisas em relação ao uso das cores e a uma disciplina de trabalho diário que o artista se impõe no processo criativo.
O amor à arte e o prazer do fazer artístico nos são revelados por Flávio Morsch através de sua estética refinada. A escolha de seu caminho é marcada pela relação indissociável entre arte e vida e a dualidade entre o espírito do cientista contrapondo com o espírito do poeta, oferece para a nossa contemplação uma arte de indizível beleza.

Ana Zavadil – curadora

Ornatos de Fantasia Geométrica, de Ana Flores

Ornatos de fantasia geométrica designam arabescos no dicionário de Buarque de Hollanda e intitula esta série de pinturas de Ana Flores. As unidades repetitivas que constroem o espaço pictórico têm como origem sua pesquisa sobre a azulejaria portuguesa do século XIX e os ladrilhos hidráulicos do século XX, ainda existentes na contemporaneidade.
A construção, rigorosamente sintética, tece um fluxo visual regular onde a superfície plasticamente viva se expande causando a sensação de movimento ininterrupto através das linhas ortogonais. Como um bordado que impõe um novo ritmo, os padrões cessam em lugares estratégicos. A continuidade das linhas e desenhos são sobrepostos por novas formas e cores indicando sutilezas ao olhar por entre transparências e opacidades.
Ana Flores divide a sua trajetória artística entre duas linguagens: a cerâmica e a pintura. A cerâmica se desdobra através da pintura ora em camadas diluídas de tinta ora em veladuras secas, originando um corpo que recria as imagens feitas no barro; a superfície pictórica de generosas dimensões, convida a artista ao corpo-a-corpo, ao embate direto requerido na cerâmica. Nestas duas linguagens Ana Flores reproduz fragmentos de um mundo real limitado ao seu tempo finito mas perenizado nos corpos cerâmicos e pictóricos.
Ana Zavadil - curadora