Urbanário: criaturas urbanas do imaginário - Joelson Bugila


O fato de uma galeria receber uma exposição de um artista que tem o foco voltado à Street Art não é nenhuma novidade. A década de 80 foi marcada pelo retorno de muitos artistas à prática da pintura; o neo-expressionismo alemão deu maior intensidade a este movimento trazendo com ele o interesse por novas linguagens: as telas em grandes formatos, os gestos espontâneos relacionados com questões políticas e sociais. A arte de rua, naquele momento, ganhou força e foi para os ateliers. Em 1981, a Fun Gallery, em Nova York exibia artes plásticas, música e dança e impulsionou a carreira de vários grafiteiros como Jean-Michel Basquiat (1960-1988), talvez o mais célebre de todos.
O graffiti, nome dado às inscrições feitas em paredes desde o Império Romano, continua sendo praticado até nossos dias. Na contemporaneidade ele divide-se em duas categorias distintas: a primeira, como contravenção (pichações); a segunda, como um meio de expressão (desenhos ou formas caligráficas em espaços públicos) inserida no âmbito das artes visuais, mais precisamente na Arte Urbana ou Street Art.
Joelson Bugila, graduando em artes visuais pela UNESC (Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina) é um artista que pratica a arte urbana, tendo como ação a pintura de muros e casas abandonadas do perímetro urbano. Ele afirma que: “ as grandes cidades são cinzas, elas precisam de colorido, elas pedem intervenções.” Revestir o não-lugar de um muro ou de uma casa abandonada em um novo lugar para o olhar, dando-lhes uma nova identidade, constitui a sua ação artística. Assim começa a sua verdadeira vocação plástica, por meio de experimentações sensíveis transformar um não-lugar em um lugar.O artista interfere no fluxo da rotina diária das cidades, chamando a atenção para a indiferença que permeia a vida cotidiana, para a pressa que faz as pessoas olharem sem verem realmente o entorno, sem aterem-se aos lugares que, cada vez mais rápido, estão sendo tragados pelo tempo. O espaço público tornou-se um lugar viável para a prática artística e a arte urbana está clamando por uma atenção no sentido de trazer uma reflexão sobre o espaço e o pensamento contemporâneo.
A trajetória artística de Joelson Bugila divide-se entre o erudito e o popular e deixa transparecer no seu trabalho o domínio da técnica. A aparência lúdica e delicada dos seus personagens apresenta-se num invólucro de seriedade e nos arremessa para um olhar positivo diante da vida.A partir das intervenções na cidade o artista realiza pinturas e instalações valendo-se de materiais como o estêncil, colagens, desenhos a grafite e pinturas em acrílico, aplicados em outras superfícies como telas, papéis, caixas de leite, camisetas ou paredes de galerias. Cria personagens lúdicos: criaturas e monstros, deformados, coloridos, engraçados e, acima de tudo, expressivos; representa cenas do cotidiano, revela a vida comum por meio destes personagens imaginários com um toque sutil de crítica e de humor. Estes seres interagem com quem os observa através de impressões sensoriais de ternura, de afeto, de tristeza, de solidão...
Bugila constrói o seu vocabulário plástico enriquecendo-se de tudo o que absorve no seu dia-a-dia e sendo um jovem artista, o seu percurso recém iniciado é apenas um capítulo dentre tantos que com certeza virão. Qualquer cena do cotidiano pode ser transformada em uma possibilidade nova de trabalho, pois seu olhar atento não deixa escapar nenhum detalhe de tudo que o cerca. A expressão contemporânea que expande o lugar tradicional da representação é hoje sua preocupação; amanhã poderá significar o primeiro passo dado para novas atuações e novos conteúdos.
Ana Zavadil - Curadora

mArte Projeta


A Galeria de mArte, localizada na avenida Osvaldo Aranha 522 / sobreloja, é um ateliê conduzido por dez artistas e que segue o conceito contemporâneo de galeria coletiva. Fundada em 2001 com o propósito de difundir e estimular a arte contemporânea, a Galeria de mArte configura um espaço destinado a reunir, provocar e nutrir o diálogo entre artistas, grupos, instituições e consumidores de arte. Mais que uma galeria alternativa, este é um espaço que constrói a possibilidade de colocar em circulação novos artistas e suas produções, bem como proporcionar a criação de novas linguagens e estímulos artísticos.

No segundo semestre de 2008, a Galeria de mArte, dentro do projeto mArte Projeta, estará recebendo exposições de artistas convidados. Com curadoria de Ana Zavadil, essas mostras têm como objetivo abrir espaço para novos artistas, dando continuidade ao projeto de mArte de ser um espaço voltado a reflexão sobre arte e de divulgação do fazer artístico e de artistas, sejam eles novos ou consagrados.

mArte recomenda!



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A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia, convida:

M U Ô
mistérios corpóreos

Sol Casal
foto-esculturas


abertura 17/07 às 19h

Galeria dos Arcos - Usina do Gasômetro
Av. Pres. João Goulart, 551 - P. Alegre
de 17/07 à 17/08

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Realização: Secretaria Municipal de Cultura - SMC - Prefeitura de Porto Alegre
Apoio: DMAE ~ Citylab ~ Nieto ~ Vinhos do Mundo ~ Coruja

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Produção: Guadalupe Casal
http://solcasal.blogspot.com/

N Partes - Coletiva


No dia 1 de julho abre a exposição N partes, com trabalhos desenvolvidos pelos alunos da disciplina de Modelagem em Gesso do Instituto de Artes da UFRGS. A mostra contará com os trabalhos de nove jovens artistas e propõe um momento de reflexão e socialização de sua produção durante o curso da disciplina no primeiro semestre desse ano.


Abertura: 1 de julho, terça-feira
das 19 às 21h30
Visitação: de 02 a 30 de julho
de terça a domingo, das 14h às 18h

Galeria de mArte
Osvaldo Aranha, 522 sobreloja
Bom Fim - Porto Alegre
http://galeriademarte.blogspot.com
galeriademarte@uol.com.br

Desenhos em doses mínimas; pinturas em doses duplas - Flávio Morsch

A obra de Flávio Morsch é poesia feita de cores, de gestos e de linhas. O resultado indica um exercício de paciência e rigor técnico-formal onde a mão que seduz a matéria é a mesma que a leva por caminhos feitos de liberdade na criação. Desenhos em doses mínimas e pinturas em doses duplas são trabalhos que guardam especificidades próprias de cada linguagem, contudo proporcionam uma relação visual de jogo e de troca marcados pela presença de uma unidade formal que rege todo o conjunto: a pintura através de suas cores vibrantes dilui-se nos desenhos que provocam o fruidor por meio do imaginário do artista. O desenho, por sua vez, transmuta-se trazendo o silêncio às suas formas e texturas ao desmanchá-los em gradações de cores. A zona de passagem entre uma linguagem e outra é ato reflexivo que produz uma estrutura rigorosamente construída que nos fala da sensibilidade do artista e de suas escolhas existenciais e filosóficas.
Os desenhos são elaborados pelo domínio absoluto da técnica e da diversidade dos materiais utilizados, além das cores intensas de guaches, aquarelas, óleos e acrílicas, colagens de papéis japoneses e tailandeses, tecidos e papéis fotográficos, xilogravuras de padrões orientais, papéis tingidos com tinta a óleo pelo próprio artista e são geradores de novos padrões coloridos e ainda: o nanquim, o grafite e o lápis de cor, como ingredientes formadores deste universo gráfico. A sua poética revela requinte e enigma para a retina pois os personagens capturados do mundo animal tornam-se figuras imprevistas e se inscrevem num contexto em que os deixa a vontade num universo de firmeza e exatidão.
As pinturas refletem uma temática da cor. A cor, em exercício da própria cor, resplandecendo através da luz e das transparências. O tratamento dado à superfície é criado em faixas coloridas que traçam um percurso de alto a baixo, delimitadas por linhas previamente desenhadas. A tinta escorre por estas linhas em várias camadas, porém não cria texturas por seu uso ser diluído. As linhas justapostas, de modo a deixar o centro do trabalho com uma luminosidade maior e as bordas mais frias causam uma progressão do espaço dentro da pintura. A riqueza desta construção geométrica, com esta luz refletida transforma a pintura num holograma.
As obras formam um conjunto harmônico onde os desenhos significam anotações e são realizados de maneira metódica sobre o vazio do papel, enquanto que as pinturas remetem ao espaço puro; fruto de incessantes pesquisas em relação ao uso das cores e a uma disciplina de trabalho diário que o artista se impõe no processo criativo.
O amor à arte e o prazer do fazer artístico nos são revelados por Flávio Morsch através de sua estética refinada. A escolha de seu caminho é marcada pela relação indissociável entre arte e vida e a dualidade entre o espírito do cientista contrapondo com o espírito do poeta, oferece para a nossa contemplação uma arte de indizível beleza.

Ana Zavadil – curadora